
Nascido Jofre Barbosa da Costa, em 1930, Da Costa compunha e interpretava canções de Ataulfo Alves e Ciro Monteiro e mantinha parceria com o também acreano Jorge Cardoso, um dos convidados para participar da gravação do documentário que impôs um novo desafio à produtora Artrio, que assina o trabalho. No início, a receita entrevista/material de apoio/entrevista era o caminho mais fácil, mas a equipe formada por um grupo de amigos, profissionais de áreas diversas da cultura manteve o tom de não conformismo da produtora e todos decidiram correr o risco de usar uma linguagem nova na construção do vídeo.
“Decidimos correr uns riscos, sair da zona de conforto. Pra nós mesmos, como estudo, como aprendizado e pra linguagem documental que é feita no Estado (...) Até o momento em que o diretor disse ‘gravando’, não tínhamos idéia do rumo que a coisa tomaria, porque gravar direito, sem controle do ambiente, sem instrução dos entrevistados, podia colocar tudo a perder. Mas o diretor sempre conseguia puxar o barco de volta quando ele se afastava um pouco da margem”, conta a produtora executiva e assistente de direção, Daniela Andrade.
A saída da ‘zona de conforto’ significou reunir em torno de uma mesa farta os músicos do grupo Roda de Samba, Jorge Cardoso, Jésse Lauro (filho de Da Costa e um dos mantenedores de seu acervo e memória) e o professor Écio Rogério - que tem o sambista como objeto de estudo de uma tese de mestrado.
O número restrito de participações se deu por questões de logística e de ordem financeira. Para ser aprovado, o projeto sofreu cortes no orçamento, fato considerado comum na produção de audiovisuais. A produção do documentário contou com a ajuda de amigos e parceiros para a cessão de transporte de equipamentos e disponibilização do cenário, por exemplo.
Patrocínio mesmo a Artrio conseguiu apenas com duas empresas, os Supermercados Araújo e a rede de Lojas Agroboi. “Patrocínio quase não existe. Se não fossem as leis de incentivo, os realizadores tirariam dos bolsos pra poder fazer seus filmes. E mesmo com as leis, existem dificuldades. A lei aprova um orçamento de valor ‘X’, quase sempre com cortes, emite um bônus fiscal e a gente tem que bater na porta do empresário e convencê-lo de nos repassar aquele valor em troca de abatimento em impostos. Se você for pensar, não é má idéia pro empresariado, ou é? Mas ainda existe resistência”, diz Daniela Andrade.
Breve nas salas de exibição – No começo da produção, os idealizadores do vídeo enfrentaram um obstáculo quase tão difícil quanto levantar os recursos para a sua realização: a pesquisa de dados sobre a vida e a obra de Da Costa. Com pouco material documentado, a equipe buscou o Departamento de Patrimônio Histórico, redações de jornais, mas foi com o filho do compositor e com o professor Écio Rogério, que elabora tese de mestrado sobre Da Costa, o maior número de informações. Depois de pronta a gravação, feita ao som das canções do sambista, é momento de capturar as fitas de quase cinco horas de filmagem. Para decupar, separar o filme em blocos, definir a linha e editar, deve-se levar em torno de 2 meses.
Ainda não há data para o lançamento do documentário, mas é provável que seja exibido pela primeira vez no Festival Chico Pop, como ocorreu com o vídeo ‘O tea-tro de Betho Rocha’, no ano passado. Daniela Andrade faz questão de destacar que existem diversos personagens como o Betho Rocha, como o Da Costa, que mudaram a forma de fazer cultura no Acre em algum momento e acabaram esquecidos.
“É importante lembrar a obra dessas pessoas. Fortalece a identidade, sabe? São personagens ricos que merecem ter suas histó-rias contadas, até pra manutenção da memória”.
Matéria escrita por Golby Pullig para o jornal A Gazeta. Confira aqui.
A Equipe Artrio agradece à Golby Pullig e ao jornal A Gazeta pela divulgação desse trabalho. É extremamente importante, não só para o nosso fortalecimento, mas também para o fortalecimento da cultura acreana.